terça-feira, 19 de abril de 2011

Sumo

Imaginei, outro dia,
que neste nosso caminhar,
na vontade de nos humanizar,
ter uma centrífuga.
A princípio sem nada importar,
colocar tudo o que tenho no dentro
armazenado que conheço: medo, angústia, prazer,
dor, irritação, egoísmo, desespero,
soberba, raiva, orgulho.
Eis que tudo vira sumo que tomo todos dias.
Aí, nesse trilhar, percebo que este sumo,
antes bom, começa a azedar.
Estreito-me no meu íntimo,
algo me diz que preciso mudar o sumo...
Hum, tiro a dor e ponho alegria,
tiro angústia e coloco esperança,
irritação coloco compreensão,
egoísmo coloco doação,
soberba coloco humildade,
desespero coloco paciência,
orgulho coloco perdão.
Para ficar um tanto picante,
pitadinha de medo, um tantinho de raiva
e muito prazer.
Eis o sumo dos deuses!
Para completar e de fato crescer,
sorvo tudo, com muito amor, numa taça de cristal,
chamada respeito.
Que doce deleite...saboroso feito!

Reclamar ou clamar?

Eís tú ego semente,
que se forma no ventre.
Se deixas, cresce impunemente,
em profusos reclames.
És infeliz se a chuva cai,
se o sol brilha mais,
se a noite chega,
se o dia desperta.
Nada te satisfaz,
mas o ego semente,
diz que sim, mente e mente
e tú acreditas,
continuas teus ditos,
embriagando-se de reclamações.
Aí vem terremotos, tsunamis,
furacões.
Como curar essa embriaguez,
sair de ser semente, tornar-se
árvore, com raízes em tua alma?
Algo em teu dentro tremula,
quer soltar-se dessa amarra,
comece a sentir isso, neste momento,
que, agora, habitas.
Não reclames mais...
Ao contrário, clame. clame.
Sinta o Universo que tens dentro de tí,
e verás o quanto és forte, poderoso,
criativo, invencível.
Aí despertarás para somente clamar:
o dia que desperta,
a noite que te acolhe,
a chuva que te molha.
És natureza, a semente, finalmente,
abriu-se: mais um ser nasce para crescer.
Sempre clamar, nunca reclamar,
eis a senha para tornar-te humano!